| 17/03/2010 - Atrito entre EUA e Israel pode ser 'mágica' para acordo de paz, diz Lula |
Presidente fez apelo para que Hamas e Fatah se unam para retomar o diálogo de conciliaçãoBELÉM - No final de sua viagem aos territórios palestinos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a recente desavença entre os EUA e Israel pode ser "a coisa mágica que faltava para que se chegasse ao acordo" entre israelenses e palestinos. ![]() Wilson Pedrosa/AE
Lula cumprimenta Abbas; ao fundo, retrato do ex-líder palestino Yasser Arafat
"De vez em quando, acontecem coisas impossíveis. O que parecia impossível aconteceu. Os Estados Unidos tendo divergências com Israel. Quem sabe essa divergência era a coisa mágica que faltava para que se chegasse ao acordo", declarou o presidente na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, sem dar detalhes de como a discordância entre os dois países possa promover a paz no Oriente Médio.
Hamas e Fatah
Abbas reconheceu a importância dessa união entre os dois grupos palestinos. "A união é muito importante. Precisamos assinar o acordo apresentado pelo Egito e estamos esperando que o Hamas vá ao Egito para assiná-lo", disse Abbas, em referência ao acordo entre as partes mediado pelo país africano ao longo de vários meses. O texto, cujo principal item é a organização de eleições presidenciais e legislativas em junho, foi aprovado pelo Fatah, mas não pelo Hamas. Palestinos x Israel O presidente brasileiro voltou a criticar o bloqueio à Faixa de Gaza e à Cisjordânia imposto por Israel. "O bloqueio à Gaza não pode continuar. O muro da separação deve vir abaixo. O mundo não suporta nenhum tipo de muro", disse Lula. O presidente palestino garantiu que seus compatriotas vêm cumprindo os pedidos feitos por Israel, mas que seus vizinhos não têm feito o mesmo. "Nós concordamos com as negociações indiretas e não temos condições antecipadas. Queremos que sejam aplicadas as regras internacionais (...) Aplicamos o que nos foi pedido e Israel precisa cumprir seus compromissos, entre eles a suspensão da construção de todos os assentamentos, inclusive em Jerusalém. Não queremos nenhum outro caminho", disse Abbas. Lula, porém, enfatizou que para se chegar à paz é preciso ouvir o outro lado, dizendo que é preciso lutar pelos direitos dos palestinos, mas sem desrespeitar Israel. Contribuição brasileira "Estou convencido de que novos atores poderão arejar as negociações estancadas", disse o presidente Lula, acrescentando que "o Brasil está convencido de que pode contribuir". "Eu acho que o Brasil deve estar disposto a conversar com quem quer que seja. Não existe força política, de direita ou de esquerda, que, se puder ajudar, o Brasil não tenha disposição de conversar. O acordo de paz exige que todas as forças envolvidas participem do processo", declarou o presidente, assegurando que o governo brasileiro estaria disposto inclusive a sediar encontros as negociações.
Antes da dar a coletiva de imprensa, o presidente Lula havia participado da inauguração da Rua Brasil, em frente da sede da Autoridade Nacional Palestina, e visitado o túmulo do líder palestino Yasser Arafat, morto em 2004. A próxima escala da visita do presidente brasileiro à região será na Jordânia, onde se encontrará com a família real local. |
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