| 10/08/2010 - O Amazonas tem que despertar para a logística |
| Gargalo na liberação de mercadorias reclamações quanto aos serviços dependência do modal hidroviário são alguns dos aspectos que causa morosidade logística de uma das regiões que mais crescem no Brasil. Andar pelas ruas de Manaus e conversar com a população causa certa estranheza. É comum as pessoas se referirem ao restante do país na terceira pessoa. Mais comum ainda é escutar de alguns moradores que nas férias irão passear pelo Brasil. Trata-se de uma brincadeira, mas que traduz a sensação de isolamento presente no dia a dia daqueles que vivem numa das regiões que mais traduzem para os estrangeiros o que é o Brasil. Algumas ações já estão sendo colocadas em prática para minimizar os efeitos desse isolamento. A ponte sobre o Rio Negro é uma delas. Com 3.600 metros de extensão, a obra, que teve início em janeiro de 2008 e tem previsão de ser concluída no próximo mês de outubro, ligará a capital do estado às cidades amazonenses de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. Para o presidente da Comissão da Indústria, Comércio e Turismo do estado do Amazonas, Francisco Souza, o empreendimento tem uma importância muito grande em termos de logística e desenvolvimento para a região. "A ponte irá gerar outra Manaus", diz. Souza explica. "Há um porto em Manacapuru. Hoje, uma embarcação que parte carregada dessa cidade demora de 18 a 20 horas para chegar a Manaus devido à correnteza. Com o advento d cargas serão retiradas transportadas para ca entregues na capital, explica. Vale lembrar distância entre os dois é de 86 quilômetros. O presidente da com salta outra vantagem da insumos que chegam ao pólo industrial de Manaus (PIM) provenientes da Ásia vêm pelo Atlântico cerca de 60 dias para chegar. A ponte permitirá que os sejam recebidos no esta via Peru, sejam transportados Transoceânica, a BR 317,e depois venham pelo Rio Purus, afluente rio Solimões, até Manacapuru",conta. Segundo ele, o tempo gasto m a utilização dessa rota será de dias e o custo com transporte para as empresas do PIM será reduzido em cerca de US$ 2 bilhões por ano. "Ê necessário, contudo, que o trecho peruano da Inter oceânica seja concluído e a hidrovia do rio seja formatada", afirma. Apesar de ainda necessitar de infra-estruturar complementar para se mar de fato uma opção logística que integre por completo a região, a ponte já estimula a economia local.
Já há 12 grandes indústrias interessadas em instalar suas operações do outro lado do rio, região que, hoje, _ responde por 98% da indústria. Cerâmica - tijolo e telha - no estado Amazonas. A ponte estimulará o desenvolvimento", salienta Souza. Os embarcadores As indústrias vêem o cenário de maneira mais macro. A localização do estado mais uma vez marca o discurso. O coordenador da Comissão de Logística do Centro da Indústria Estado do Amazonas (Cieam), Augusto César Barreto, tem uma pronta resposta quando questionado sobre o quão longe é a região. "Muita gente fala que a Amazônia é distante, mas isso não é verdade, uma vez que, na logística global, o que se diz é que existe uma independência de localização, ou seja, as indústrias são instaladas levando em consideração aspectos como mão de obra, incentivos fiscais e mercado, por exemplo,", frisa. O executivo é mais enfático. "A distância da Amazônia para os principais centros e o transporte não são impeditivos logísticos para a região", define. Para ele, o transporte, bem ou mal, será realizado, já que o aeroporto local permite o acesso a qualquer tipo de aeronave, o modal rodo-fluvial, apesar de uma logística confusa, será realizado e os problemas podem ser superados com investimentos. Na opinião de Barreto, os verdadeiros gargalos são a burocracia e a infra-estruturar dos terminais de liberação. "Nosso grande problema, hoje, está no momento em que as cargas chegam a Manaus e têm que sair do aeroporto, do porto ou dos terminais de armazenagem para irem até o estoque da fábrica." No caminho inverso também há impeditivos. Segundo o coordenador, é preciso haver velocidade no processo burocrático para a liberação dos produtos. Atualmente, uma encomenda que chega a Manaus, por via aérea, proveniente de São Paulo, demora três dias para ser liberada. O processo é longo. A carga chega e precisa ser liberada pela Receita Federal - já que a maior parte do que é recebido vai para o PIM e, segundo a Suframa, 70% são cargas importadas -, depois pelo Ministério da Agricultura e, se precisar, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Depois disso, a Receita vincula a carga aos denominados canais, que podem ser verde, amarelo, vermelho ou cinza. A importação selecionada para o canal para Souza, ponte sobre o Rio Negro estimulará o desenvolvimento verde é desembaraçada automaticamente, sem qualquer verificação. O canal amarelo significa conferência dos documentos de instrução da Declaração de Importação (DI) e das informações constantes na declaração. No caso de seleção para o canal vermelho, há, além da conferência documental, a conferência física da mercadoria. Finalmente, quando a DI é selecionada para o canal cinza, é realizado o exame documental, a verificação física da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificação de elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria. De acordo com o executivo, os fiscais se esforçam para realizar o trabalho, mas não há recursos mão de obra, equipamentos, sistemas e espaço para armazenagem. |

