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20.11.2008
ico Não seremos o Orkut número dois, diz diretor do MySpace Brasil
27/08/2008 - Não seremos o Orkut número dois, diz diretor do MySpace Brasil

Oficialmente no Brasil desde o final do ano passado, o site de relacionamentos MySpace -- o mais populoso dos Estados Unidos -- enfrenta o desafio de ganhar espaço num mercado onde o Orkut se mantém como queridinho dos internautas. “Não seremos o Orkut número dois. Nosso objetivo é mostrar aos usuários que temos ferramentas diferentes, atraentes e que podemos reunir em um único ambiente diversos tipos de conteúdo”, afirmou Emerson Calegaretti, diretor-geral do MySpace no Brasil. “Queremos ser a identidade digital do usuário de internet.”

Tornar-se o centro da vida digital dos usuários da web é o principal foco da empresa, que tenta se diferenciar da concorrência fornecendo ferramentas para o usuário se expressar no ambiente virtual. “Esse é um dos nossos principais trunfos. Cada perfil tem características únicas, uma identidade distinta, reúne imagens e conteúdo que mostram o gosto daquele internauta. Ao visualizar essas páginas, é como se você estivesse entrando na casa daquela pessoa”, disse ao G1 o diretor de operações do MySpace, Amit Kapur.

Aos 26 anos, o funcionário do escritório em Los Angeles responde pelos pelo desenvolvimento de operações globais do MySpace. De férias no Brasil nesta semana, ele aproveitou para conhecer alguns pontos turísticos e também o escritório da empresa em São Paulo. Foi lá, na segunda-feira (24), que Kapur e Calegaretti receberam o G1 para uma entrevista sobre a estratégia do MySpace no país, a concorrência entre redes sociais e também formas de ganhar dinheiro nesse ambiente. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

 

Foto: Juliana Carpanez/G1
Calegaretti e Kapur no escritório do MySpace em São Paulo. (Foto: Juliana Carpanez/G1)


G1 – Em sua visita ao Brasil, já pôde notar características dos brasileiros que sejam relevantes para seu trabalho com a rede social?

Amit Kapur – O brasileiro tem uma cultura muito expressiva, muito colorida, que combina com a essência do MySpace. Temos a proposta de permitir que os internautas construam uma identidade on-line e interajam com outras pessoas. Algo importante nesse processo é oferecer ferramentas de expressão, dando a possibilidade de exibir diferentes fundos, músicas e fotos em sua página para mostrar quem você é, do que você gosta. Nesse ponto, acredito que a cultura expressiva dos brasileiros seja bem parecida com a proposta do MySpace.

Também fiquei sabendo que no Brasil os internautas ficam mais tempo on-line do que em qualquer outro lugar do mundo [esse dado do Ibope//NetRatings refere-se ao uso doméstico da web]. Queremos mostrar ao Brasil o que é o MySpace, pois existe uma grande oportunidade aqui, considerando o tempo de navegação e também a cultura do brasileiro.

G1 – Cerca de 69% dos usuários domésticos acessam o Orkut, enquanto o MySpace só tem 5% desse público no país. Vocês acharam que seria mais fácil a popularização e crescimento do site no mercado brasileiro quando chegaram aqui?

Kapur - Não há dúvidas de que o Orkut tem uma presença muito forte por aqui, com muitos usuários. Apesar de estamos falando de redes sociais, elas são bastante diferentes. O MySpace não é igual ao Orkut e, quando os usuários começarem a perceber isso, vamos atrair uma grande audiência.

Um dos nossos principais diferenciais é fornecer ferramentas que permitam ao internauta se expressar. Cada perfil tem características únicas, uma identidade distinta, reúne imagens e conteúdo que mostram o gosto daquele internauta. Ao visualizar essas páginas, é como se você estivesse entrando na casa daquele usuário.

Também damos muita importância à segurança. Como somos a maior e uma das principais redes sociais dos Estados Unidos [dos 120 milhões de membros do MySpace, 76 milhões estão nos EUA], aprendemos muito sobre como oferecer segurança aos nossos usuários. Essa é outra vantagem, que deixa as pessoas mais confortáveis dentro da rede social.

G1 – E como vocês pretendem fazer com que as pessoas aqui no Brasil percebam essas diferenças e se disponham a testar o MySpace?

Emerson Calegaretti – Já colocamos em prática diferentes ações de marketing que envolvem divulgação da marca e marketing viral, por exemplo, para chegar até pessoas que são de outras redes sociais. Também queremos associar benefícios ao uso do site, como os secret shows, que funcionam muito bem. Não seremos o Orkut número dois, queremos ser diferentes. Nosso objetivo é mostrar que temos ferramentas diferenciadas, atraentes e que podemos reunir em um único ambiente diversos tipos de conteúdo. Para ganhar, é preciso fazer algo diferente.

Nós também vendemos anúncios no MySpace. Por isso, não queremos somente atrair os internautas, mas também mantê-los em nosso site. Essa é a meta.

G1 – A imagem do MySpace está muito associada à música, com iniciativas como os shows secretos. Mas o que vocês oferecem para as pessoas que não são fãs de música?

Kapur – Não somos voltados somente à música. Ela é uma parte do site, mas não é o MySpace inteiro. Nosso foco é permitir que o internauta crie uma identidade on-line e interaja com outras pessoas no ambiente virtual. Sabemos que outras redes sociais têm objetivos parecidos, mas oferecemos muito mais ferramentas para a personalização dessas páginas, alternativas que os concorrentes não têm. A música é mais um componente para a construção dessa identidade on-line.

Calegaretti – Também estamos tentando atender nichos específicos que vão além da música, como por exemplo fãs de literatura ou de moda. O Orkut é um site muito generalizado, onde você pode encontrar assuntos de seu interesse, mas de uma forma rasa. Queremos criar uma conversa envolvente em volta de um tema específico, para públicos específicos.

G1 – Vocês afirmam que não querem ser o Orkut número dois. E o que vocês querem ser?

Calegaretti – Queremos ser o centro da vida do internauta, um lugar onde as pessoas possam fazer tudo o que precisam na internet. Nos próximos anos, o perfil nas redes sociais reunirá todo o conteúdo da vida on-line, como blogs, álbum de fotos, música, fotolog e vídeos. Assim, não será necessário se registrar em diversos sites para fazer o que quer: estará tudo em um só lugar. Uma espécie de identidade digital.

Além disso, também temos o objetivo de sermos vistos como um ambiente que renda dinheiro para nossos anunciantes. Um assunto sobre o qual muito se fala atualmente é mídia social. Estamos colocando esse conceito em prática muito bem, sabemos como levar a mensagem dos anunciantes até os usuários certos, no momento certo, sem ser irritante.

G1 – Estão satisfeitos com a maneira como vendem anúncios no MySpace ou estão em busca de outra fórmula para ganhar dinheiro?

Kapur – Ela funciona muito bem e está em contínuo desenvolvimento. Nos Estados Unidos, o MySpace esta a caminho de atingir US$ 1 bilhão de faturamento, com quatro anos e meio. Poucas empresas de internet conseguiram isso em tão pouco tempo: o Yahoo levou oito anos e o Google, se não me engano, seis ou sete anos.

Sabemos como anunciar para a audiência certa. Criamos comunidades que permitem ao usuário acompanhar e interagir com suas marcas favoritas. Também oferecemos uma oportunidade única para os anunciantes enviando anúncios direcionados a clientes em potencial. Gastamos centenas de milhões de dólares e alguns anos desenvolvendo uma tecnologia que nos permite entender o usuário, enviando para ele anúncios direcionados. Nenhuma rede social consegue fazer isso da maneira como fazemos.

O objetivo é exibir ao internauta anúncios que estão relacionados com seu universo. Isso aumenta em 300% o desempenho dos anúncios, em comparação aos modelos tradicionais oferecidos na internet.

G1 – Para finalizar, Kapur, você se formou em engenharia mecânica pela Universidade de Standford [onde surgiu o Google]. Por que não trabalha no Google?

Kapur –
(risos) Gosto muito da cultura do MySpace, comecei a trabalhar na empresa em 2005, quando ainda era pequena. Somos empreendedores, há muita gente criativa e não é um ambiente político. E ainda hoje existe essa cultura de empresa iniciante [start up] no MySpace, que muitas companhias perdem quando começam a crescer.

 

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